quarta-feira, 12 de julho de 2017

Santiago, Chile - parte 2

perdidas na selva!... Santiago é uma capital... com palácio do governo, sedes administrativas, centros financeiros, trânsito caótico, gentes indo e vindo... e, muitos prédios em reforma, afinal há os terremotos e o patrimônio histórico sofre seus reveses... o clima é mais seco do que estamos acostumados (recomendo ter na bolsa um protetor labial e um colírio lubrificante - se como eu, for suscetível a irritação ocular), vento... poluição... mas, para quem anda por São Paulo, Santiago é uma irmã organizada! sim, foi essa a primeira impressão da cidade: Pauliceia organizada, receptiva e pronta para o turismo.

no hostel, vários folhetos de agências e guias, indicando passeios (em carro para poucas pessoas, em van para grupos) e lugares a visitar, mapas da cidade, city tour em vários idiomas... uau! olha aí Santiago nos surpreendendo! tudo parecia muito fácil... e o idioma que nos trazia alguma reserva, já não assustava mais porque as pessoas se esforçavam em falar português e aproveitavam cada oportunidade para melhorar no idioma, assim, era bem comum nos perguntarem significados de palavras como "engarrafamento"... de onde vem engarrafamento?! para eles também parecia ser "estar dentro de uma garrafa" e isso não faz o menor sentido usada para trânsito, rs... assuntos assim, foram comuns em toda a viagem! os chilenos com quem tivemos contato no setor turístico foram muito comunicativos e solícitos!... assim, foi a recepcionista do hostel que nos indicou um guia para nos levar, no dia seguinte a nossa chegada, a casa do Neruda em Isla Negra (escolhemos essa primeiro por parecer a mais linda! às margens do oceano Pacífico)... ela também ligou para a agência que conhecia e negociou o passeio!... finalizado a negociação, iríamos de carro com mais um casal de brasileiros por R$ 125,00 cada! sim, sabíamos que estávamos pagando valor de turista mas nos demos esse luxo (a gente economiza de um lado e prima por conforto de outro)... e ah! depois descobrimos ser esse o preço também de van... tipo um preço tabelado! as vantagens dessa visita assim: o motorista nos pegou na porta do hostel (onde também nos deixou), foi nos contando várias histórias e nos dando muitas informações, era um conhecedor de vinhos, nos falou sobre as vinícolas, indicou as melhores a serem visitadas, as mais atrativas, as mais baratas e... a resistência dos chilenos sobre Casilleiro del Diablo, dizendo que, apesar do vinho ser muito conhecido no Brasil, a vinícola trata a visita como "muito espetacular", com encenação e tudo o mais, muito para turista mesmo... indicou vinícolas mais "interessantes" no ponto de vista da informação como a vinícola Santa Rita, muito ligada a história do Chile: http://www.santarita.com (se quiser avaliar e considerar conhecer a adega do "Diablo" veja informações em: http://www.winer.com.br/vinho-casillero-del-diablo/)

chegando a Isla Negra, que fica na cidade de El Quisco, e ah! por favor, visitem essa casa de Neruda, mesmo não conhecendo sua poesia! please! é demais... 
a casa era o refúgio criativo de Pablo Neruda que amava o mar (porém morria de medo de navegar, então, há um barco no jardim, onde Neruda se sentava para criar ouvindo o barulho das ondas). vários objetos relacionados ao mar e que o poeta colecionou ao longo da vida estão em exposição, deixando essa a casa com mais cara de museu do que as outras duas (cada uma tem uma característica e em conjunto dá uma aula sobre o homem Neruda e sua relação com o Chile, a política, os amigos, a vida amorosa e criativa).
para mim, Neruda se revelou um gênio do designer.
a entrada custa em torno de 25 reais e você recebe um aparelho com audiodescrição em português (também pode ser em inglês, alemão, francês) e um mapa com a sinalização dos áudios! a visita dura em torno de 40 minutos, mas a permanência não é limitada a esse tempo, você pode ficar a vontade. também dá para descer à praia, mas a água ali é imprópria para banho, ok?! 
em Isla Negra também fica o túmulo do Neruda, que permanece como sempre gostou de estar: olhando o mar (é possível visitar o túmulo e os jardins da casa sem pagar ingresso!). como a paixão por esse lugar não tem fim... guardei um pouco do som que inspirava o poeta!



na volta de El Quisco, passamos por Pomaire, uma pequena vila de artesãos, famosa pelas peças em argila negra (sabe aqueles utensílios de barro escuro da casa da avó?!) - indicação do nosso guia! os restaurantes ali servem pratos típicos chilenos, como as empanadas! almoçamos no restaurante Los Naranjos (bem tradicional e vale a pena pela decoração!) e experimentamos o Pastel de Choclo: numa tigela tradicional (de argila negra), uma coxa de frango em meio a outras carnes em milho! o estranho é que eles gratinam o prato com açúcar, estranho para o nosso paladar!.. o preço do restaurante é bom, anota na agenda... e dá pra conhecer a vila de ônibus (ela fica a 50 km de Santiago). vale a pena pelo artesanato (embora o industrializado já tenha tomado conta para atender a demanda de turistas), dá para encontrar artesãos trabalhando! comprei uma carteira linda, fiquei encantada com uma mulher que transformava talheres em jóias e para fechar o passeio, comprei uma pulseira em prata por um preço incrível!!

dica de viagem para iniciantes: Santiago, Chile - parte 1

há tempos quero escrever e organizar minha experiência em Santiago e, enfim, uma amiga precisou das informações, então... sem mais adiar, relato meus dias nessa cidade linda e em seus arredores... 
antes, uma dica já de saída e começo de conversa: quase todos os sites e publicações com dicas para o Chile sugerem você dividir a viagem em três roteiros, muito diferentes entre si, então se você não tiver um mês inteiro para ficar por lá, escolha entre:
1. capital Santiago e arredores;
2. deserto de Atacama (ao norte do país);
3. Patagônia chilena (região sul do país).
sim, no Chile você vai do deserto a neve em alguns quilômetros... e claro, a gente pensa em ver tudo de uma vez, mas... vai por mim, só a capital já é incrível...

Santiago, Chile - parte 1 - organizando a viagem

quando eu e Rê (minha amiga e companheira de aventura) discutimos o roteiro, partimos da ideia de aproveitar bem o tempo, uma vez que seriam poucos dias e um deles já estava programado o festival Lollapalooza (após nossa experiência complicada com o festival no Brasil em 2014, decidimos conhecer a organização em outro país, viajamos em março de 2015 período bem agradável para visitar a capital do Chile, dias não tão quentes, noites muito agradáveis com um leve frio - aquele bom pra dormir!)
outra coisa importante quando se viaja com alguém é discutir um roteiro comum: queríamos ver as casas do Pablo Neruda (como pessoas das letras que somos, rs... não tinha como ser diferente) e então, começamos a pesquisá-las e, teria que ser uma por dia, dada a localização geográfica e para não ser tudo muito corrido! assim... 4 dias dos nossos 7 de viagem já estavam comprometidos!.. no mais, era deixar a cidade nos surpreender.

poucos dias e pouco dinheiro! a regra da viagem era a objetividade!
então a escolha do local de hospedagem deveria ser estratégica: barato, boa localização (lugar tranquilo com acesso a transporte público) e seguro... ah! um detalhe bem importante, nenhuma das duas dominava o espanhol, logo... o local deveria nos responder em inglês ou português e isso também pesou na escolha... verificado os requisitos, ficamos com um hostel muito charmoso, rápido e descomplicado nas respostas e que oferecia quarto individual com banheiro!! isso foi a melhor opção da vida! conforto, preço, privacidade, bom atendimento (e em português) e boa localização; além disso, conseguimos negociar a reserva com um depósito de 10% do valor total da despesa, pagando o restante no check-in (a maioria exige pagamento antecipado de pelo menos a primeira diária no cartão de crédito e, como tínhamos pouco limite e com as taxas internacionais de cartão altas, isso já representou uma economia), e pagamos com depósito bancário (é importante verificar qual taxa está menor no momento da sua viagem, porque você pode levar um susto com o que vem a mais no seu cartão!) - detalhe, no nosso caso a reserva era necessária porque viajamos no festival, ok? fora do período de temporada ou eventos, dá pra se hospedar sem reservas e assim, sem pagar as taxas de câmbio no cartão (pague o hostel em dinheiro e economize pelo menos 7%)

o escolhido e recomendado: 
Cienfuegos 151, Santiago de Chile, Santiago, 8340492, Chile


e, falando em dinheiro: onde trocar, quando trocar, quanto levar?!?! essa foi a segunda fase da peleja... e voltando aos blogs de dicas para pesquisar e se entender com o câmbio! primeiro, pesquise sites e aplicativos de conversão de moeda para saber os valores, ok?! e a grande dica: viaje levando real, troque no aeroporto o suficiente para suas primeiras despesas (transporte até o hostel) e... divirta-se nas casas de câmbio chilenas... além disso, vários lugares aceitam pagamento em reais... e o que você ganha com isso?! trocando diretamente nas casas de câmbio você evita pagamento de taxas e impostos!! ao chegarmos no aeroporto em Santiago (não troque no Brasil, ok?!), trocamos só o dinheiro do transporte até o hostel, ao chegarmos lá, negociamos deixar nossas bagagens e fomos até o centro (que fica a uns 5 quarteirões) trocar nossos reais e foi tudo muito tranquilo mesmo... a recepcionista do hostel nos indicou o caminho e tudo muito certo... recomendo super essa estratégia!!
e no mais, foi aprendendo lá mesmo! a dica mais preciosa é: nunca entre em nenhum estabelecimento em galerias ou aos fundos! são muitas as casas de câmbio que dão para a rua e são seguras, ok?! jamais entre em lugares fechados, onde você se veja sozinha negociando dinheiro! NUNCA! 

sobre transporte: pelo centro dá pra fazer tudo a pé... porém o aeroporto fica longe! as opções são: taxi, van de lotação ou transporte público. embora estivéssemos com as orientações para usar o ônibus, o país diferente nos assustou um pouco e optamos pela lotação que, por um preço razoável, nos deixou na porta do hostel! valeu a pena!

Santiago e a Cordilheira dos Andes foto tirada do alto do Cerro Santa Lucia