domingo, 10 de setembro de 2017

Apostas para o indicado ao Oscar, valendo!

arte Denis Pimentta
23 filmes disputam a indicação ao Oscar como representante do Brasil para concorrer como Melhor Filme Estrangeiro. Uma comissão indicada pela Academia Brasileira de Cinema terá a tarefa de analisar os filmes e dar o veredicto! 

Mas, o caminho não é tão fácil assim... se o filme vencer seus 22 concorrentes ainda terá mais uma prova de fogo: a produção poderá ou não ser a escolha da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas - lembrando a história de Cidade de Deus (2002) que, quando indicado pelo Brasil, foi ignorado pela Academia, chegando só no ano seguinte a disputa, após entrar em cartaz nos EUA, recebendo 4 indicações da mesma Academia que o rejeitou: direção, roteiro adaptado, montagem, fotografia. Os números também não são animadores, desde 1961 o Brasil já inscreveu 46 filmes, mas só 4 conseguiram chegar lá... e sabemos que a escolha é um jogo, então não vencerá o melhor, talvez, o que fizer melhor lobby... as coisas são assim... a noite de gala hollywoodiana traz resultados óbvios, distribuindo prêmios entre todos os indicados, fazendo média com países onde há interesse de mercado, assim como pede a indústria do entretenimento... O Brasil tem chances quase nulas, mas... estamos trabalhando!...

Então, pra quê concorrer? Ora, ora, ora... apesar de tudo, o Oscar ainda é uma grande vitrine e só de estar na lista de indicados já é um salto para atingir o público, os patrocinadores e movimentar a cena! O Brasil, também está precisando provar para si que é capaz, e quem sabe dar um pouco de pão (e talvez circo) para os brasileiros. Se a Academia Brasileira seguir a lógica de escolher um filme com chances de concorrer ela está entre duas excelências em polaridades distintas!

A aposta clara para o anúncio em 15 de setembro é Bingo, o rei das manhãs... Com orçamento estimado em 9 milhões de reais, tem um diálogo próximo com a indústria cinematográfica: Daniel Rezende que já esteve lá e existe aos olhos da Academia (indicado pela montagem de Cidade de Deus), soube fazer o jogo! o filme é distribuído pela Warner (e isso me lembrou a amarga derrota de Central do Brasil (1998) para A vida é bela (1997) que vinha com lobby da Miramax). Lula Carvalho também já é conhecido da Academia, era assistente de câmera na indicada fotografia de Cidade de Deus e tem atuado no mercado estadunidense - é diretor de fotografia de Tarturas Ninjas (2014) e Robocop (2014). 

Páreo duro, vindo totalmente na contra-mão, Era o hotel Cambridge (2016). Elogiadíssimo no circuito engajado, feito com baixíssimo orçamento (baixíssimo mesmo!!), contando uma história com cara de Brasil - e bem ao gosto dos americanos!.. retrata a vida dura de brasileiros que precisam de moradia, dos movimentos de ocupação de prédios abandonados na cidade de São Paulo e (ATENÇÃO PARA ESTE DETALHE) da situação de imigrantes e das atuais (ausentes) políticas de imigração do Brasil. Mistura denúncia social e intercâmbio artístico, o documental e o ficcional... é um caldeirão borbulhante aos moldes do queridinho Cidade de Deus.

Os demais 21 filmes são bons! Há quem vá torcer para um ou outro por critérios subjetivos... Mas estes dois, tem aquele "quê" a mais... tem a cara da disputa... tem todas as fichas para jogar!
Estamos aguardando!

Se ainda não viu a lista com os 23 concorrentes, clique aqui!

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